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Um retorno aos meus silêncios... nem tão verdes agora!

domingo, 31 de julho de 2011

Em frente ao muro

Em frente ao muro

O frio vem cortando a pele
da janela envidraçada
pela fresta aberta, uma nesga
faca de lâmina espelhada

Palavras escritas a esmo
encontram o peito aberto
fazem da esperança do beijo
um futuro incerto

A preocupação por nada
o encontro e o freio
tanta vida apagada
só ilusão o receio

Em frente ao muro
cortando a linha
jaz o coração moribundo
pagando em dia as sinas

Faz castelos estranhos
perde a última rodada
e ainda assim espanta
toda mágoa guardada

Apaga a vela da paixão
calado, pulsa fraco
oh, pobre coitado,
deixará sua sombra
desenhada com sangue
ainda que a noite
seja enluarada
ainda que o dia
esteja distante.

Dhenova