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Um retorno aos meus silêncios... nem tão verdes agora!

domingo, 31 de julho de 2011

Em frente ao muro

Em frente ao muro

O frio vem cortando a pele
da janela envidraçada
pela fresta aberta, uma nesga
faca de lâmina espelhada

Palavras escritas a esmo
encontram o peito aberto
fazem da esperança do beijo
um futuro incerto

A preocupação por nada
o encontro e o freio
tanta vida apagada
só ilusão o receio

Em frente ao muro
cortando a linha
jaz o coração moribundo
pagando em dia as sinas

Faz castelos estranhos
perde a última rodada
e ainda assim espanta
toda mágoa guardada

Apaga a vela da paixão
calado, pulsa fraco
oh, pobre coitado,
deixará sua sombra
desenhada com sangue
ainda que a noite
seja enluarada
ainda que o dia
esteja distante.

Dhenova

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Lágrima Verde

É quando a luz se apaga que meus olhos abrem e posso finalmente ver na escuridão. O gosto áspero na boca mostra os excessos, ainda de olhos abertos fico muda, enxergo na parede a tua sombra embranquecida... fantasia, eu sei, 'loucurismo', tudo isso junto...

é quando a luz se acende que meus olhos fecham e não quero mais ver. Gostaria de crer em milagres, ser adepta de santos e padres mas isto não sei... não enxergo tua sombra... talvez isto seja bom afinal. Tento manter-me calma, serena, mas a mente fica num vem e vai... e também sei que em breve terás a paz almejada, toda dor que sentias será amainada... e suspiro pra o além...

é quando o entardecer antecipa a noite que a tristeza vem, em açoites, deixando rastros de outrora... surge uma lágrima verde, ela escorre pela face, pinga no carpete branco da sala, invade a cozinha, sai pela frente... escorre até a grama, serve de adubo necessário para um peito que ama... e as rosas crescerão na primavera. Rosas verdes... quimera!

Dhenova