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Um retorno aos meus silêncios... nem tão verdes agora!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mergulho

Mergulho

Mergulho do íntimo
entre bolhas
peixes
conquistas verdes
mergulho eterno
voo terno
entre nuvens sagradas
ilusão azul
céu apagado
cela riscada

mergulho do íntimo
correnteza
do ínfimo acesa
sai pela mão
mas asas molhadas
permanecem petrificadas
no fundo do mar
espaço absurdo
escuro balanço
no fundo imundo.

Dhênova
15/11/2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Indefinindo o vácuo...

indefinindo o vácuo...

aperta-me o peito
pressiona o ar gelado
olhos embaçados
perdem-se no fim

há uma escuridão
envolvendo tudo
há uma ilusão
acerca do nunca
há uma emoção
surgindo do nada
há a sensação
sentida no todo

por ninguém...

por ninguém

aperta-me o ar gelado
pressiona o peito
olhos no fim
perdem-se, embaçados

há uma emoção
envolvendo o nunca
há uma ilusão
acerca de tudo
há a escuridão
surgindo do nada
há a sensação
sentida no todo

quase bizarra.

Dhênova
13/11/2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Bicho Noturno


chego no pico
abro os braços
ar gelado estilhaça a face
gosto salgado
de lágrimas

só mais um passo
lá embaixo o mundo
nada virado ou profundo
outro universo
tão parecido
ainda mais frio

vejo as nuvens
são tão doces
esfriam a dor
do corpo
molham a pele
frescor, breve...

é no abrir das asas
que perco a passada
é a visão retardada
que marca o percurso

tarde demais, 
muito próximo da vida
asas bandidas
abrem-se aqui
caio, enfim...

não sou anjo, é certo
sou ave de rapina
viver aqui, uma sina
arrastando correntes
ave de rapina
perigosa, bandida
às vezes, apenas banida

não sou anjo, é certo
vivo à solidão, 
o desmedido
voo de sentidos
no precipício
no alto do morro
com ou sem feitiço
com ou sem açoite.

Não, não sou anjo
nem fada
nem qualquer coisa alada

sou aquela coisa salgada
sou gosto de nuvens
sou bicho noturno
um ser imundo.

Dhênova
11/11/2010