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Um retorno aos meus silêncios... nem tão verdes agora!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Musk


Musk

─ Denise, traz a toalha? ─ A voz aguda de Flávia ecoa da banheira, alcança a porta e chega até o quarto de casal. ─ Quero a cor-de-rosa.
            No quarto, Denise tem o vestido levantado... o joelho quase lhe encosta no rosto, o pé balança... Os braços, agarrados por uma das mãos do homem, estão presos à parede. Os seios nus roçam a camisa dele no vai e vem... ao sobe e desce ... ─ Já vou. ─ A voz de Denise sai abafada.
            ─ Está, mas não demore. ─ Flávia deita a cabeça e aproxima a água do queixo. Os olhos não piscam. Ficam parados. Olhando o nada. ─ Está frio aqui... Jacques já chegou?
            Denise sente o ir e vir, a respiração apressada do homem... a respiração entrecortada dela... a perna quase não agüentando o peso... então, balbucia. ─ Ainda não.
            ─ Não ouvi! ─ Grita Flávia, levantando o pescoço, e respingando água no rosto. ─ Fale alto!
            A boca do homem morde o pescoço de Denise e, depois, procura os lábios. Denise foge dos dentes e sente o calor crescendo, subindo-lhe nas entranhas... e, então, quando não vai mais agüentar... grita: ─ Não!
            ─ Sou cega, menina, não surda. ─ Flávia coloca a ponta do indicador para fora da água morna, sente a diferença da temperatura, então, fecha os olhos. A luz da janela colorida reflete o brilho de uma lágrima que escorre e cai na água. Uma pequena onda se forma, depois uma segunda, uma terceira... ─ Traga logo a toalha!
            Denise sente toda a energia do homem... sente que ele vai explodir dentro dela e sussurra: ─ Não... ─ A energia passa para as mãos de Denise e logo explode... indo parar na parede, na perna dela, no chão... Ela, então, fala alto e claro, desvencilhando-se do homem. ─ Já vou.
            ─ Tudo bem. ─ O rosto de Flávia está sereno quando Denise entra no banheiro. ─ Jacques já chegou?
            ─ Entrou neste instante. Já deve estar entrando no banho. ─ Denise olha para o corredor e coloca a toalha bem perto de Flávia. ─ A toalha está aqui. Quer que leve a roupa agora?
            ─ Deixe para depois, Denise. ─ Flávia apanha com uma das mãos a toalha, mas permanece sentada, o olhar vazio. A toalha rosada fica quase toda largada no chão. ─ Denise – Flávia fala num tom cansado. – Passe um pano úmido, caso Jacques derrame outra vez perfume pelo quarto.

A.Yunes