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Um retorno aos meus silêncios... nem tão verdes agora!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Na hora


Do sol nascente não vi brilho
dizem que estava bonito
permaneci de olhos fechados
até ouvir os gritos

em minha mente insana
tal qual degraus de uma escada
ecoaram minhas ganas
no escuro, em plena madrugada

mas já era dia
pelo menos eu achava
lambi todas as feridas
abracei quem me amava

e os olhos procurei
de alguém que foi embora
claro que não encontrei
vi que tinha chegado a hora.

Dhenova

Sou quem sou

Sou quem sou

É certo que não sou a mesma
nem quero ser
aprendi com os açoites do vento
a seguir firme e sempre
não me interessam os outros
seus egos, infelicidades, desconfortos
aprendi a cair suave e a levantar rápido
não suporto mentiras e gente que late
já fui boazinha, idiotas dizem covarde
mas sei da paz que quero
conheço a mim mesma
aposto nas minhas verdades.
e não sucumbo nunca
a quem me bate.

Dhenova

domingo, 31 de julho de 2011

Em frente ao muro

Em frente ao muro

O frio vem cortando a pele
da janela envidraçada
pela fresta aberta, uma nesga
faca de lâmina espelhada

Palavras escritas a esmo
encontram o peito aberto
fazem da esperança do beijo
um futuro incerto

A preocupação por nada
o encontro e o freio
tanta vida apagada
só ilusão o receio

Em frente ao muro
cortando a linha
jaz o coração moribundo
pagando em dia as sinas

Faz castelos estranhos
perde a última rodada
e ainda assim espanta
toda mágoa guardada

Apaga a vela da paixão
calado, pulsa fraco
oh, pobre coitado,
deixará sua sombra
desenhada com sangue
ainda que a noite
seja enluarada
ainda que o dia
esteja distante.

Dhenova

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Lágrima Verde

É quando a luz se apaga que meus olhos abrem e posso finalmente ver na escuridão. O gosto áspero na boca mostra os excessos, ainda de olhos abertos fico muda, enxergo na parede a tua sombra embranquecida... fantasia, eu sei, 'loucurismo', tudo isso junto...

é quando a luz se acende que meus olhos fecham e não quero mais ver. Gostaria de crer em milagres, ser adepta de santos e padres mas isto não sei... não enxergo tua sombra... talvez isto seja bom afinal. Tento manter-me calma, serena, mas a mente fica num vem e vai... e também sei que em breve terás a paz almejada, toda dor que sentias será amainada... e suspiro pra o além...

é quando o entardecer antecipa a noite que a tristeza vem, em açoites, deixando rastros de outrora... surge uma lágrima verde, ela escorre pela face, pinga no carpete branco da sala, invade a cozinha, sai pela frente... escorre até a grama, serve de adubo necessário para um peito que ama... e as rosas crescerão na primavera. Rosas verdes... quimera!

Dhenova

sábado, 23 de abril de 2011

Você olha, eu voo

Você olha, eu voo

Solto o ar
rodopio
bem devagar
a vida
por um fio

vejo adiante
você
olhando pra mim
estático

parado no tempo
o sol te ilumina
apático?

não vejo alegria
no meu semblante

no teu rompante
buscaste a linha
divisa
do antes

prisma distante

eu rodopio
no ar
fadada sina
de ser só amante.

Dhênova

quinta-feira, 3 de março de 2011

Concepção

CONCEPÇÃO

Nos olhos do ardor
o teu espírito
No coração borbulhante
o teu recheio
Na mão amiga
a tua inspiração
No ventre do amor
a tua criação

Oh, poema
os meus eus dão-te vida
a tua sina.

Dhenova - maio/2009

Calorosamente

CALOROSAMENTE

C orpos quentes, num
A braço ardente,
L ibertário das almas...
O mormaço interior é o
R egistro aparente,
O rgasmático e indolor, que
S imboliza a vida.
A mor só é pura verdade,
M ilagrosa afetividade, quando
E ncontra no bom coração
N a beleza de um beijo, um
T oque de mão, o
E ncantado desejo.

Dhenova - maio/2009

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Apenas partes de mim

Apenas partes de mim

A penas partes de mim
P artículas espalhadas
E m suaves círculos
N a madrugada
A lcançam o chão
S em delírio

P artes tão pequenas
A garram-se ao solo
R esgatam o sorriso
T ocam o abismo
E sparramadas, as partes
S ervem de base, líquidas

D estino tranquilo
E ncontram as outras

M arcam a passagem
I ndicam o caminho
M inha última viagem.

Dhênova
2/1/2010